Test-drive: como realizar em veículos usados

Você já ouviu falar em test-drive de carro zero quilômetro, aqueles com cheirinho de novo na concessionária. Sentir o carro, a potência e a direção ajuda na hora de bater o martelo e decidir pelo modelo escolhido. O carro zero está livre de problemas e desgaste de uso, diferente de um carro usado. Já parou para pensar como é importante realizar um test-drive se esta pensando em comprar um carro usado e diferenciar as condições de um veículo normal para um carro com problema?

A primeira dica é alugar por um dia o modelo pretendido e pesquisar sobre as características do carro que você está pensando em comprar.

Na hora de testar o veículo é importante checar a quilometragem. Geralmente pedais, volante e manopla de câmbio costumam apresentar desgaste a partir dos 70.000 quilômetros. Caso o hodômetro marcar 40 000 quilômetros, mas essas peças estiverem gastas, é sinal de adulteração no painel. Fique esperto!

Confira abaixo o que cada parte do carro pode revelar ao comprador durante o test-drive:

Estrutura geral

Um lado da carroceria está mais alto que o outro? Desista da compra, pois é sinal de problema sério na estrutura, como um monobloco torto ou trincado. Durante o test-drive, molhe os pneus ou passe por cima de uma poça d’água segurando a direção em linha reta. O correto é ver as marcas do pneu alinhadas, perfeitamente sobrepostas. Se não estiverem, caia fora, pois o veículo já sofreu colisão forte.

Motor

Abra os vidros e escute o motor. Se engasgar, pode ser combustível adulterado. Mas atenção: o uso freqüente de combustível batizado pode exigir reparos no sistema de injeção, incluindo bicos, filtros e bomba de combustível. Uma revisão antes de adquirir o veículo não custa caro e inclui a verificação das velas e da bomba, além de limpeza de bicos injetores. Se for o caso, peça o serviço na própria loja.

Qualquer outro ruído exige a avaliação de um mecânico (o ideal é levar um profissional de confiança ao teste), pois sons parecidos podem significar problemas diferentes. Mas alguns barulhos já reprovam um carro. Batidas fortes podem indicar que pistões, camisas e bielas precisam de retífica, que passa fácil dos 1.000 reais.

Ruídos metálicos podem ser provocados por coxim trincado ou quebrado. A troca em si não é cara, mas o problema pode ter comprometido outras partes do motor.

Pneus

Dê uma volta em torno do carro e veja se todos os pneus são da mesma marca. Se não forem, não é grave, mas demonstra desleixo do antigo dono. No entanto, se eles tiverem medidas ou, pior, rodas com aros diferentes, saia correndo: isso pode ter comprometido a direção ou a suspensão.

Câmbio

Teste todas as marchas várias vezes, avançando e reduzindo. Se houver dificuldades no engate, pode ser um simples problema no coxim da caixa de câmbio. Num modelo popular, isso não custa caro. Mas, como pode ser coisa grave, é melhor evitar o risco e procurar outro carro.

Embreagem

Durante o test-drive dirija o carro em subidas íngremes, para ver se ele não patina com aceleradas mais fortes. Se isso acontecer, o problema pode ser desgaste da embreagem. Faça as contas, porque um kit de embreagem pode custar alguns milhares de reais – principalmente se for um veículo importado.

Escapamento

Se o motor roncar mais alto e grave que o normal, pode haver um silenciador ou cano de escapamento trincado ou furado. Ouça se há ruídos de batida de peça metálica: é indicativo de alguma abraçadeira ou anel de borracha soltos.

No caso de assoalho muito quente, a causa provável é mau posicionamento do escapamento ou alguma tubulação furada. Peça ao vendedor que substitua a peça danificada ou exija um desconto.

Suspensão

Nessa avaliação, nada melhor que ruas de piso irregular ou quebra-molas. Roda trepidando, ruídos exagerados e solavancos durante o test-drive são indício de um ou mais amortecedores vencidos. Desconfie de carros recém-lavados por baixo, um truque para disfarçar manchas de óleo vazando do amortecedor.

Direção

Ao esterçar o volante, fique atento a ruídos como “tlec, tlec”, sinal de junta homocinética avariada. Esse conserto pode sair caro. Ao soltar a direção, ela pode girar com rapidez para um dos lados, o que em geral é resolvido com um alinhamento das rodas.

Sistema de freios

Durante o test-drive ouça se a frenagem não produz ruídos mais altos, típicos de disco ou pastilhas desgastadas. Com o carro em movimento, pise no freio para ver se está “puxando” para um dos lados. Pode indicar que o sistema precisa de uma revisão completa.

Fonte: Quatro Rodas e Car Check

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